16 de abril de 2018

"AEIOU" DO CONSUMO DE LEITE NA INFÂNCIA

Se há palavra mágica lá em casa é leitinhoOs meus filhos começaram a beber leite de vaca, por indicação da pediatra, por volta dos 18 meses e são até hoje, com 30 meses e 5 anos, uns verdadeiros apaixonados por leite.

E neste enamoramento não há herança genética.
Nem eu nem o meu marido bebemos leite. Aliás, lembro-me de em miúda ser um verdadeiro sacrifício para mim dar dois golos que fossem numa caneca de leite. Só o bebia, a muito custo, quando o meu avô me persuadia a não dar ouvidos aos meus pais sob o argumentos como Acho que fazes muito bem, não bebas o leite. Assim ficas pequenina para sempre. E o avô adora que sejas pequenina!




Os tempos mudaram muito desde que eu era pequenina. Os benefícios do leite, esse alimento tão querido há umas gerações atrás, são hoje postos em causa. Há quem diga que continua a ser um alimento interessante, sobretudo para as crianças. Há também quem diga que a relação custo-benefício não justifica o seu consumo diário e que podemos encontrar o tão aclamado cálcio noutros alimentos.

Como jornalista que sou, decidi ouvir os argumentos de especialistas a favor e os argumentos contra o consumo diário de leite na infância. A decisão cabe a cada um de vocês (e já agora às preferências alimentares dos vossos filhos).

O LEITE DE VACA É OBRIGATÓRIO?
Não. A resposta é unânime por parte de todos os especialistas que consultei. Mas, se para a nutricionista Inés Pádua do projeto Alecrim, "apesar de não ser essencial ou obrigatório, não há motivo para a diabolização que [o leite] tem sofrido nos últimos tempos", já para Ana Moreira, médica, com formação em medicina integrativa, "o que é obrigatório é o bebé mamar da mãe porque somos mamíferos e, portanto, mamamos do leite da nossa mãe até ao ano e meio, dois anos".
Mais longe nesta avaliação vai Rui Rosa Dias, responsável pelo movimento Slow Food [e uma pessoa obrigatória de descobrir para quem quer ser mais consciente nas escolhas agrícolas e alimentares], que denuncia "as constantes tentativas da cadeia agroalimentar suportarem a sua comunicação assente em desinformação e no marketing enganoso" e que, nessa medida, é urgente alterar o panorama de packaging nos produtos alimentares.
Importa primeiro referir que, para além de quem não quer dar leite de vaca aos filhos por opção, existe também um número substancial de crianças e jovens intolerantes à lactose ou alérgicos à proteína do leite. No primeiro caso (dependendo do nível da intolerância), consumir leite sem lactose pode ser uma opção. No segundo caso, o consumo de leite e de derivados não é de todo recomendado pelo que aconselho a saberem mais aqui.

A PARTIR DE QUE IDADE DEVO INTRODUZIR O LEITE DE VACA?
De acordo com os especialistas não existem alimentos obrigatórios, pelo que atualmente não existe uma idade até ao qual o consumo diário de leite seja fundamental. Defende-se, no entanto, que o leite de vaca nunca deve ser introduzido antes dos 12 meses. Na opinião da nutricionista Inés Pádua essa introdução deve ser feita mais tarde, preferencialmente após os 24 a 36 meses de vida.
Ate lá o bebé deve ser amamentado ou consumir leites de fórmula adaptados à idade.

O LEITE É UM HERÓI?
Nim. Para a nutricionista Inés Pádua é um alimento interessante porque "para além do conteúdo em proteína, é também fonte de cálcio, não tem açúcares adicionados e também nos permite optar por versões com menos gordura". Depois, relembra a nutricionista, o facto de ser um alimento economicamente acessível o que "pesa e faz diferença no orçamento de muitas famílias com crianças em fase de crescimento".
Diferente reflexão tem Rui Rosa Dias que defende que "a qualidade, a origem, o modo de produção e a proximidade (entenda-se, canais curtos) deveriam ser atributos mais valorizados, muito mais que as quantidades (dose diária recomendada) e o preço", isto porque, para o especialista, apesar "do leite verdadeiro poder ser uma bebida aconselhável, por ser um alimento bastante completo" os tais processos de produção do leite não são os mais aconselháveis.

.... OU É UM VILÃO?
Apesar de alguns estudos sugerirem uma relação entre um consumo de leite [já lá vamos à questão das doses recomendadas] e a prevalência do cancro da próstata e do ovário existem, por outro lado, estudos que apontam para um efeito protetor do leite, em doses recomendadas, no que respeita ao cancro do colón, da mama e da bexiga.
É por isso que Rui Rosa Dias alerta que "é o suporte metodológico que nos garante a fiabilidade dos resultados" apesar do especialista entender que  "qualquer organismo sujeito a um stress alimentar, ao expor-se a consumos diários das tais doses recomendadas uma vida inteira (...), mais cedo ao mais, tarde acabará por demonstrar problemas e desenvolver doenças".
Para Ana Moreira a relação entre a prevalência do cancro e o consumo diário de leite é uma evidência científica recente, segundo artigos de 2011 a 2018, por este ser um alimento com capacidade"pró-inflamatório" que "está correlacionado com a prevalência de alguns tipos de cancro" devido a proliferação celular que pode levar à modificação de células com algum tipo de descontrole celular".
Visão bem diferente tem Inés Pádua que esclarece que, em ambos os estudos - do cancro da próstata e do cancro dos ovários - não se encontra "qualquer associação entre o consumo geral de leite ou os derivados". De acordo com a nutricionista "para o cancro da próstata, o artigo em questão, refere o contributo do cálcio para o desenvolvimento da doença, não mencionando o leite". Ja quanto o cancro dos ovários é referido o papel da galactose (açúcar resultante do processo de digestão da lactose) em danos nos ovários conducentes ao cancro" mas, explica, "numa dose de três porções diárias de leite, o que é superior ao recomendado".

EXISTEM DOSES RECOMENDADAS?
Sim, mas só para quem consome diariamente leite.  Inés Pádua defende que o recomendado para os volumes de leite e derivados (incluindo fórmulas) a partir dos 12 meses é de aproximadamente 400 ml/dia. Nas crianças que já tenham introduzido o leite de vaca, este valor traduz-se em dois copos de leite ou 1 iogurte e um pacote de leite por dia, por exemplo. Esta dose máxima não deve, no entender da nutricionista, ser excedida. 

QUAIS OS SUBSTITUTOS DO LEITE?
Não, substituir o leite de vaca por bebidas vegetais não é suficiente. A nutricionista Inés Pádua avisa que "algumas bebidas vegetais, apesar de serem enriquecidas, e por esse motivo, apresentarem a mesma quantidade de cálcio, têm menor teor proteico e maior conteúdo de açúcar em comparação ao leite". Neste sentido, Rui Rosa Dias lembra que "todo este panorama de packaging vai ser obrigatório e brevemente alterado" para que as pessoas questionem "cada vez mais os modos de produção, os modos e processos de transformação e a equidade de valor gerado".
A solução passará então por ter especial cuidado à leitura dos rótulos (há imensas bebidas vegetais sem adição de qualquer tipo de açúcar. As bebidas de millet ou quinoa são excelentes) e enriquecer a alimentação com vegetais de folha escura, peixes como a sardinha, o feijão, sementes de sésamo e a gema de ovo, também eles ricos em cálcio.

Os meus filhos gostam de leite e essa é a razão maior para eu não excluir este alimento da vida deles. Aliás, eu não gosto de excluir por princípio. Acredito também que, na sua origem, o leite é um alimento nutricionalmente muito interessante, ainda que os processos de produção e comunicação sejam hoje duvidosos. Sigo os conselhos de Rui Rosa Dias e opto por leite biológico, preferencialmente do dia [o que é muito difícil de encontrar no Porto], num consumo nunca superior a dois lácteos por dia.

É uma opção mais cara e mais trabalhosa (já que a validade deste leite é muito inferior) mas que, acredito, fará diferença na saúde futura dos meus filhos e na do planeta também.
E o que importa mais que isso?









SHARE:

8 de abril de 2018

CARTA (ABERTA) ÀS RECÉM-MÃES

Uma das minhas amigas do coração foi mãe pela primeira vez ontem.
Ela é daquelas pessoas que estará sempre no top 5 de qualquer miúdo (os meus filhos que o digam). Não só pela sua graça natural, mas também porque desenha cocós com caretas como ninguém. Isso e o facto de ser i.m.b.á.t.í.v.e.l no que ao conhecimento de animais diz respeito [em desespero é bem capaz de inventar nomes de bichos nunca antes soletrados, mas isso já é outra história].
A minha amiga do coração é, portanto, uma daquelas miúdas que será - já é - mãe com uma perna às costas.

Só que ela não sabe disso.
E quem fala dela, fala de todas as mulheres que experimentam a maternidade pela primeira vez.



Lembro-me bem de me dizerem para não dar colo a mais porque o miúdo ia ficar mimado.
[E eu, mesmo cheia de dúvidas e sentimentos de culpa, não o largar nem para ir fazer xixi]
Disseram-me que eu dava de mamar numa posição estranha.
[Quando nem eu nem o bebé nunca reclamamos dela]
E que o meu filho ia ter problemas porque o mudei cedo demais para o quarto dele.
[Para esta não tenho resposta: gostava só que conhecessem o meu filho hoje]

Sei exatamente como te sentes hoje, mãe de primeira viagem.
Feliz, mas ainda a descobriste-te neste novo papel.
Cheia de certezas que puff desabam ao mínimo comentário exterior.
Por isso, mãe de primeira viagem, aqui vai para ti [enquanto o teu bebé não acorda e podes ler este post]:

Vão-te dizer que mimo a mais estraga. E também te vão dizer que devias dar mais mimo.
[Especialmente quando o teu bebé está aos gritos vão TODOS dar palpites.]
Dar de mamar é obrigatório. Mas se deres de mamar mais do que sete meses vão chover comentários.
[Primeiro não te esforçaste para dar de mamar, depois estás a querer esticar - ele já tem dentes e tudo!]
Se o bebé não fizer cocó, tens de estimular. Se estimulares muitas vezes, estás a desabituar o reto.
[O que ninguém faz é o dirty job, se é que me entendes...]
Deixar o teu filho para ires namorar com o teu marido é crime. A certa altura, não ires é sinal que deixaste de ter vida.
[Há limites de tempo e espaço: com um bebé de 6 meses podes jantar fora. Ir passar uma noite a Lisboa é quem nem pensar.]

Mais tarde, dar uma bolacha Maria é um atentado à saúde. Sente-te mal também porque, com dois anos, o teu filho nunca provou chocolate.
[Ora não sabe o que é bom, ora és punida por promoção da obesidade infantil - sem falar das cáries!]
No fundo, para essas vozes que ecoam na tua nova vida, não tens opção: 
Vais sempre ter culpa de tudo. E de nada também.

E sabes quais são as únicas coisas que importam? Tu e o teu bebé. Tu e o teu bebé.
Eu vou repetir: Tu e o teu bebé [os pais que me desculpem, mas o tempo deles chegará].
Se vocês estiveram bem, então está tudo bem.
Se o bem significar não dar de mamar, não dês.
Se significar dar até aos dois anos. Pois dá.
Só não deixes que nada nem ninguém se intrometa entre ti e o teu bebé.
A mãe és tu. O filho é teu.
Tu decides. Tu escolhes. Tu sentes. Tu vives.

À filha da minha amiga Leonor [ e aos filhos de todas as recém mães] só posso dizer que este é um lugar maravilhoso, onde as mães amam os filhos ainda antes de os verem e que, agora os têm no peito a dormir,  não há opiniões, teorias ou especialistas que possam falar mais alto do que esse amor inabalável, imensurável e incondicional que se gera entre a nova mãe e o seu filho.

Bem vindos à vida,







SHARE:

3 de abril de 2018

LIVROS INFANTIS: O NOSSO TOP10


Começo por vos dizer que o título deste post é muito pouco fiável.
Na verdade, o que hoje vos proponho não pode ser considerado o top 10 cá de casa uma vez que, se assim fosse, teríamos de incluir nesta lista muitos dos contos tradicionais (nada bate Branca de Neve ou a Lebre e a Tartaruga). 
Os contos tradicionais são um lugar seguro - eu diria mesmo, obrigatório- onde as nossas crianças podem projetar dilemas e emoções da sua própria vida. Um dia, está prometido, falo-vos do porquê destas minhas afirmações [tenho a certeza que, para tal, posso contar com a ajuda da minha querida amiga Maria Andresen que acaba de lançar um projeto sobre o papel da psicologia no desenvolvimento infantil].

Enquanto os contos infantis ficam na gaveta das nossas conversas, que tal pormos em cima da mesa estórias mais contemporâneas vindas de toda a Europa? Os livros que se seguem são os mais repetidos cá em casa [acho que quase que os podia ler de olhos fechados]. 
Por regra, leio um livro aos meus filhos antes de irem para a cama. Às vezes a mesma história para os dois, outras vezes  - quando a hora e a minha paciência permitem - uma para cada um.

Quem escolhe o livro são eles. Existem apenas duas regras: escolher uma das opções que lhes coloquei no cesto [sigo as orientações montessorianas de ir rodando os livros disponíveis para que estes sejam adequados ao momento de desenvolvimento da criança e do mundo que a rodeia] e selecionar um livro com narrativa [isto porque o meu filho mais velho tende sempre a escolher livro de cariz informativo, como atlas do mundo ou dos animais 😅]. 


(PS- Desculpem a formatação - ou a falta dela - mas ainda sou uma caloira nisto)



Os cinco sentidos são chamados
Partilhar? O que é isso?

Explicar o amor? Aqui está.

As tecnologias são bem-vindas.


Uma saga Ú-N-I-C-A


Juntos somos melhores, verdade?


Sabes, nem tudo é preto no branco.

Perfeito para os mais pequenos.

Um autor obrigatório.
O nosso NÚMERO 1. E é só :)








Boas leituras e até amanhã,


SHARE:

1 de abril de 2018

O TEU FILHO TAMBÉM MENTE?

Hoje é dia das mentiras.
E para usar a terminologia oposta, a verdade é que todos nós mentimos. 
Em média 200 mentiras por dia, para ser exata (de acordo com um estudo da Faculdade de Medicina da Pensilvânia).
A verdade também é que quando os nossos filhos mentem cai o Carmo e a Trindade.
 Há um ano falei com a Magda Gomes Dias  sobre este tema no Porto Canal. Espreita aqui.
Assim como os adultos, as crianças mentem por muitos motivos [defesa, estratégia, medo, fantasia,etc]. O tipo de mentira, a frequência da mesma e, sobretudo, a idade da criança devem ser tidos em conta. A idade parece-me o fator mais relevante neste processo e é por isso que decidi desconstruir a mentira por faixas etárias [sendo que, naturalmente,falamos de estimativas já que cada criança é um ser único]:

0 aos 3 anos - São vários os especialistas que defendem que até aos 3 anos não existe mentira propriamente dita. O que acontece é que as crianças faltam à verdade por falta de compreensão do que lhes foi perguntado. Por exemplo: "Já lavaste as mães?" "Lavei." "Não lavaste nada, estás a mentir". O seu filho não está a mentir. O tempo é muito abstrato para uma criança desta idade que, não tendo lavado as mãos naquele momento, já o terá feito noutras ocasiões. Dica: Ser claro, inteligível e evitar confusões. "Reparei que não lavaste as mãos como te pedi. Vai agora lavar as mãos por favor" é uma frase mais direta para a criança.

A maioria dos estudos que li falam da mentira por proteção/defesa a partir dos 4 a 5 anos. Ora eu sou mãe e sei que ela pode surgir BEM mais cedo. É típica sobretudo em casas com mais do que um filho. Por exemplo: "Quem fez isto?" "Foi o mano." "Lá estás tu a mentir!". Antes de mais, o que faz pouco sentido é a nossa pergunta. Não só porque provavelmente já sabemos a resposta, mas também porque estamos a criar oportunidades para os miúdos faltarem à verdade. Dica: Fale calmamente com o seu filho e peça que lhe diga a verdade. Quando ele o fizer, elogie o comportamento e não o puna pela asneira [ficará para um outro episódio, aqui valores mais altos se levantam].

3 aos 4 anos-  A fantasia é também muitas vezes confundida com a mentira pelos adultos e esse é um erro que pode comprometer a capacidade imaginativa dos nossos filhos. Se o seu filhote diz que acabou de ver a Heidi a saltar pela janela, em vez de reprimir, entre com ele nesse mundo. A realidade e a fantasia são uma só nestas idades.
À medida que a criança cresce a suposta mentira passa a ganhar contornos mais reais. Ou seja, o seu filho dirá coisas como "Hoje marquei 20 golos no futebol e até recebi uma medalha". Dica: Substitua o "estás a mentir" por "Tu marcaste mesmo 20 golos ou tu gostavas muito que isso tivesse acontecido?" É uma das melhores armas contra a mentira cá em casa. Uso-a frequentemente e não só consigo chamar o meu filho para a verdade, como ainda lhe roubo um sorriso cúmplice :)

4 aos 7 anos - A intenção da mentira e a consciência moral começam a ganhar dimensão. Os 4 anos marcam a entrada no real e é, por isso, expectável que os processos de construção da mentira ganhem contornos mais complexos. É por isso essencial ser um modelo de referência. Por exemplo: "Ui, filho...não comas esse chocolate que tem picante, é horrível". A criança provavelmente não vai resistir, vai provar e, mesmo que não verbalize, vai certamente pensar que os pais estão a mentir. Não só se sentirá defraudada, como vai legitimar a mentira precisamente porque está numa fase de exploração da consciência moral. 

7 aos 12 anos- A entrada na difícil vida escolar (uma dia falamos disto, está?) traz com ela, quase sempre a mentira para se libertarem de tarefas que lhes trazem ansiedade ou frustração. Os trabalhos de casa, a aula de ginástica ou o simples ato de colocar a mesa são motivos usuais para as crianças [e os adultos!!!] faltarem à verdade.
Dica: Trabalhar outras competências como a resiliência e auto-aceitação são um passo gigante para diminuir este tipo de mentira.

A entrada na adolescência - e a vontade avassaladora de se autonomizarem dos pais - aumenta o leque de motivos para mentir. Para todos eles há três regras de ouro:

1) SER O EXEMPLO. Parece fácil, mas não é. Dizer a verdade [ainda que adaptada à idade] aos nossos filhos é um exercício complexo e que nos obriga, enquanto família, a enfrentar muitas birras, frustrações e até sofrimento. Mas pensem bem: mentir a alguém que amamos tanto? Como nos sentimos quando nos mentem? É dessa forma que se sentem os nossos filhos. E não pensem que eles não topam as mentiras. Mais cedo ou mais tarde vão topar e quanto mais tarde maior será a desilusão.

2) NÃO DAR OPORTUNIDADE À MENTIRA. Nos conflitos entre os meus filhos aboli frases como "quem fez isto?" ou "quem começou a bater em quem?" São frases vazias que levam a respostas óbvias de medo e defesa. De manhã, também vou retirando perguntas como "Já lavaste os dentes?" [quando estou fartinha de saber que ainda não o fez] e opto por ir direta ao assunto "Reparei que ainda não lavaste os dentes. Vai lá agora por favor que já estamos em cima da hora". E quem fala de aspetos simples do dia-a-dia, fala também de assuntos maiores como a morte, o divórcio ou o terrorismo [temas que levarei até vocês um dia destes].

3) NÃO ROTULAR, ESCUTAR E PERDOAR. Sobretudo à noite, no ritual de ir para a cama, o meu filho de cinco faz-me algumas confissões. Mesmo que me confesse alguma mentira ou algum comportamento errado nunca me zango com ele. Obviamente que o convido a pensar no caminho correto. Mas sem grandes juízos de valores e, sobretudo, sem o etiquetar de "mentiroso", "aldabrão" ou algo do género.

A confiança que os nossos filhos depositam em nós é poderosíssima e será, certamente, uma grande aliada durante a adolescência.

Pensem nisso.









SHARE:

26 de março de 2018

IOGURTE DE FRAMBOESAS COM GRANOLA


A propósito do último fenónemo viral sobre a importância do silêncio e estarmos connosco próprios, convidei-me a fazer alguma introspecção.
A verdade é que, seja por ser mãe de dois, seja à custa da minha vida profissional, são muitos poucos os momentos em que estou sozinha.
O pequeno-almoço é o meu momento mindfulness diário.
É um conceito complexo mas, como explica muito bem a Micaela Ovén no projeto que podes espreitar aqui, exercitá-lo pode ser bem mais simples do que parece.
Basta estar presente (sem pensamentos a interferir).

É por isso que [fora quando faço noitadas com o meu marido a ver episódios consecutivos da Casa do Papel] faço questão de acordar antes de todos lá em casa.

Para mim cozinhar é um enorme acto de amor.


Gosto de preparar os lanches da escola com calma e gosto ainda mais de, tanto quanto possível, variar nos pequenos-almoços que ofereço aos meus filhos.
Não temos nada contra pão e leite - muito pelo contrário, é um pequeno-almoço vencedor - mas acredito que a diversidade alimentar é uma mais valia a vários níveis.  Para além dos diferentes nutrientes que diferentes alimentos nos dão, é também uma oportunidade de educar o palato para novas texturas e abordagens.

Estou a preparar um post, com o parecer da nutricionista Inês Pádua do projeto Alecrim , com propostas de planeamento semanal de pequenos-almoços para toda a família.
Tudo muito simples e com recursos a alimentos da época (preferencialmente biológicos).
Enquanto estamos a cozinhar esse post, deixo-vos uma sugestão.

Só vão precisar de framboesas congeladas (eu compro frescas quando estão em promoção e congelo parte delas), iogurte natural sem adição de açúcar, fruta a gosto e granola.
Na noite anterior retiram meia dúzia de framboesas para copos individuais para que vão descongelando lentamente. De manhã, é só juntar bem o iogurte às framboesas [que entretanto criaram um sumo delicioso] e juntar topping a gosto: eu costumo usar banana partida aos pedaços pequenos para adoçar, morangos, raspas de chocolate negro 70% cacau e uma dose generosa de granola.

Há hoje no mercado muitas opções de granola pronta relativamente equilibradas, mas é sempre melhor fazerem em casa. 
Já provei muitas receitas mas, para mim, a melhor de todas é a do blog Sweet Bigas
Não só a granola é muito boa, como todo o projeto da Ana Chaves merece uma visita vossa.

Bom pequeno-almoço! 






SHARE:

20 de março de 2018

PRIMAVERA E O NOSSO CANTINHO DA NATUREZA


Serão precisamente 16h15 quando publicar este artigo.
E não é ao acaso. É precisamente a essa hora que podemos dizer adeus ao Inverno.
O equinócio de primavera [que é como quem diz, quando o sol passa no quadro celeste, um dos eixos que circula a Terra] dá-se, este ano, às 16h15.

A primavera é um tempo de enorme alegria para todos. Sobretudo para as crianças portuguesas que, geralmente com pais hiper protetores e especialistas em medidas anti-frio, tem muito poucas oportunidades para estar em contacto com a natureza nos meses de Inverno.

A pedagogia Montessori, sobre a qual já tive a oportunidade de conhecer um pouco mais a partir dos workshops da psicóloga Sylvia Sousa [e que podes descobrir aqui], aborda de uma forma muito profunda estas questões.

De acordo com Maria Montessori, no livro " A Mente Absorvente", as crianças possuem qualidades inatas e são exploradoras pelo que, na minha opinião, o mundo que as rodeia é o principal instrumento de aprendizagem. 

Não precisam de muitos brinquedos nem de muitos estímulos.
O convite à contemplação e exploração do mundo é mais do que suficiente para fazer os nossos filhos crescer de forma justa, harmoniosa e afetiva para que, seguindo os princípios montessorianos, possamos construir um novo mundo e a paz.

A nossa Mesa da Natureza improvisada

A lupa é um elemento essencial para a observação

Depois de os observar, devolvemos os animais à natureza

No workshop de introdução à pedagogia Montessori dos 3 aos 6 anos que fiz com a Sylvia, fiquei especialmente apaixonada pela Mesa da Natureza. 

[Não fosse eu ter um filho verdadeiramente apaixonado pela natureza!]

A Mesa da Natureza mais não é que um local onde colocamos objetos da natureza - que apanhamos nos nossos passeios em família ou que os miúdos trazem da escola - e onde, mais tarde, podemos regressar para fazer as nossas observações. Temos, por isso, sempre uma lupa disponível!

Para além de flores, sementes e frutos os meus filhos gostam de trazer pequenos animais para este cantinho.  É sempre com grande esforço que os devolvemos à natureza, mas até aqui temos uma oportunidade de os fazer crescer. :)

A Pedagogia Montessori sugere que esta Mesa da Natureza seja alterada ao longo do tempo e que represente as estações do ano. Por isso este fim-de-semana estivemos em mudanças.

Quem mais vai criar um cantinho assim aí em casa?
Fico à espera de partilhas


SHARE:

18 de março de 2018

AO PORTO CANAL, PAI DA MINHA CARREIRA


Amanhã celebra-se o Dia do Pai. Pode até ser uma data meramente simbólica, mas a verdade é que estas efemérides são, muitas vezes, oportunidades para nos fazer parar. Não somos pais sem sermos filhos.

Sou filha de um pai encantador que sempre me convidou a explorar o mundo ao meu redor.
Lembro-me que tive dificuldade em aprender a andar de bicicleta e de ter muita vontade de desistir. Lembro-me também do meu pai me mandar "mexer as canetas" (que é como quem diz as pernas fininhas com que sempre me movi) e de nunca desistir de mim.

Os pais não desistem dos filhos nunca. Mesmo quando eles querem desistir de si próprios.
[Os meus filhos estão muito bem entregues. Têm um pai que não só não desiste dos que ama, como os empurra para a vida todos os dias]

O pai da minha vida profissional é o Porto Canal. 
O Avó Cantigas foi um dos primeiros convidados do programa

Rubrica "Vou contar até 3" com a psicóloga Maria Andressen
Boca de leão é o espaço onde destacamos a alimentação saudável
O pediatra Hugo Rodrigues é, até hoje, o nosso "Doutor Remédios"

Foi ele, o Porto Canal, que me acolheu, há oito anos atrás, como um pai acolhe uma filha recém-nascida.
Ensinou-me quase tudo o que sei. Permitiu-me errar, permitiu-me fazer melhor, permitiu-me voltar a tentar, permitiu-me crescer.
Só não me permitiu, nunca, desistir.

Já abracei um milhão de projetos ao longo destes oito anos. Agarrei todos de alma e coração.
Fui, como escreve Fernando Pessoa, "todo em cada coisa".

O Filhos & Cadilhos, que emitiu pela primeira vez, há precisamente um ano, por altura do Dia do Pai, é o grande projeto da minha vida profissional.
Nasceu da minha cabeça, mas só ganhou corpo graças ao Porto Canal [e a muitas pessoas que lá trabalham] que, como bom pai que é, decidiu arriscar e dar-me espaço para fazer mais e melhor.

O primeiro post deste meu novo bebé, o blog que hoje vos apresento, teria necessariamente de ser dedicado a este meu pai, o Porto Canal.
Estou muito feliz. É o começo de uma nova oportunidade para crescer.

Deixo-vos com um pequeno apanhado deste primeiro ano do programa.
Uma surpresa que a minha querida produtora, Tânia Franco, me preparou.
O programa especial Dia do Pai / Aniversário emitiu ontem no Porto Canal e é imperdível.



Nota: Este vídeo é do Porto Canal e foi-me cedido gentilmente para este primeiro post.
SHARE:
© Filhos e Cadilhos. All rights reserved.