EU, MÃE, ME CONFESSO


Vivemos tempos de alguma esquizofrenia em relação à parentalidade.
Aquilo que parecia ser feito pelos nossos avós de uma forma natural e pouco reflexiva - às vezes com sete ou oito filhos para amar e educar- tornou-se num profundo objeto de análise e escrutínio público.
Este boom de referências parentais tem muito de benéfico: faz-nos pensar o quanto as nossas atitudes enquanto pais influenciam o bem-estar e a formação dos nossos filhos, ajuda-nos a respeitar a natureza única e individual de cada criança e, em última instância, é até responsável por relações familiares mais harmoniosas.
Mas confesso que às vezes também me pergunto: onde nos vai levar tanto artigo, tanto estudo, tanta teoria? Não estamos nós a correr o risco de nos tornarmos mais máquinas de bem educar e menos pais a amar?

Afinal quem nunca perdeu as estribeiras?
Quem nunca gritou com um filho?
Quem nunca, vencido pelo cansaço, adormeceu um filho ao colo e, sorrateiramente, o pousou devagar, devagarinho na cama só depois de os braços estarem dormentes?
Quem nunca?
E quem nunca prometeu um chocolatinho a quem comesse a sopa toda sozinho? Pior: quem nunca, depois de dezassete olha o aviãozinho, deitou por terra todas as teses educacionais e ligou o IPAD?
Quem nunca se defradou enquanto pai ou enquanto mãe? Quem nunca?



Eu, mãe, me confesso. Já cometi todos estes erros. Estes, e muitos mais.
É que, por muita informação a que possamos ter acesso, amar vem do coração.
Amar é a primeira premissa da parentalidade.

E só Deus sabe o quanto amamos os nossos filhos.


Educar é o desafio seguinte da parentalidade e, aí sim, podemos e devemos usar primeiro a cabeça [e todos os artigos, teses e estudos] e só depois o coração.

Eu, mãe, me confesso. Cometo erros. Aqueles e muitos mais.


Mas sabem o que é mais surpreendente? É que acordo todos os dias com esperança de fazer melhor. De ser melhor. De ser sempre melhor para os meus filhos. Ser melhor pelos meus filhos.

Estou certa que é esta vontade avassaladora de ser melhor que também vos move. E, aqui que ninguém nos ouve, desconfio que é suficiente para encher de amor o coração dos nossos filhos.






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