OVERPARENTING OU MÃE URSO?



A minha mãe não sabe, mas uma das coisas mais bonitas que me disse na vida foi que eu era como uma mãe urso

Na altura, chegou a enviar-me um vídeo impressionante de uma mãe urso enquanto o filho ursinho tentava sair de um lago gelado. A mãe ficava ao pé do filho, mas deixava-o tentar sair do lago sozinho. 
E assim foram capazes de ultrapassar aquele desafio e dar um passo enorme na autonomia do ursinho.




Gosto de pensar em mim como uma mãe urso. Sobretudo no que à vida ao ar livre diz respeito. Gosto de dar margem aos meus filhos para medirem o que são capazes de fazer e o que ainda não são capazes de fazer. Acredito que essas decisões, aparentemente tão pequeninas, são fundamentais na imagem que têm de si próprios e do mundo que os rodeia.

Escolho ser como a mãe urso [com as devidas garantias de segurança]. Escolho não ser uma mãe helicóptero e desviar-me do overparenting.

Mas, Mariana, que termo estranho é esse?

A definição de overparenting surgiu pela primeira vez em 1969 no livro "Between Parent and Teenager" do psicoterapeuta Dr. Haim Ginott. Em termos gerais, fala de um estilo de pais ultra protetores e centrados apenas na vida dos filhos.

Perguntam alguns de vocês: Qual é o problema de ser um pai ou uma mãe extremamente cuidadoso e centrado na vida do filho?

[Vocês- E mais, o que tens tu a haver com isso?!!!]

[Mariana- Não tenho nada a haver com isso, mas leiam só :) ]


O problema [para além de todas as desvantagens ao nível emocional no adulto e no casal] é que, de acordo com vários estudos, nomeadamente um da Macquarie University em Sydney, na Austrália concluído em 2012, há uma clara correlação entre o overpareting e o aumento dos níveis de ansiedade na criança. Para terem uma ideia,  crianças com apenas 4 anos de idade que exibiam sinais de ansiedade tinham mães super envolvidas, as ditas helicopeter mothers. Aos 9 anos, as mesmas crianças alvo desta investigação, estavam mais propensas a ter um diagnóstico de ansiedade clínica.

Precisamos de ir mais longe? Só uma notinha então: Um outro estudo, publicado em 2013 no Journal of Child and Family Studies, mostra que as crianças que são superprotegidas (over-parented) mostram menos satisfação com a vida do que os colegas de turma.

Quando fazemos alguma coisa pelo nossos filhos que eles já são capazes de fazer [como ir buscar todos os dias a mochila ao cabide da escola do nosso filho de 4 anos] não lhes estamos a mostrar o nosso amor. Ou melhor, nós estamos a mostrar-lhe o nosso amor. Mas, de acordo com estes estudos, o que os nossos filhos vão recepcionar não é o nosso amor mas antes que não são capazes de fazer sozinhos.

É por estas razões que evito usar com frequência frases como "olha que cais!", "sai daí que isso é perigoso!", "vais-te magoar!" ou, pior ainda, quando se magoam efetivamente, dizer-lhe "eu avisei-te!" ou "não ouves o que te digo, agora olha..."

Na grande maioria das vezes, e sobretudo se sentirem que nós confiamos nas decisões deles, os nossos filhos sabem bem quais são os seus próprios limites. Às vezes arriscam demais. Esfolam joelhos, sangram das pernas e ficam com nódoas negras junto ao cotovelo.

Mas afinal não é isso que é ser criança?
Deixo-vos o link do vídeo da mãe urso para vos inspirar.
Sugiro ainda que leiam este artigo do Observador.

Vai valer a pena.


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