PERCENTIS, PARA QUE VOS QUERO?


Confesso que, quando o meu primeiro filho nasceu, estive perto de me tornar numa daquelas mães percentildepente. Daquelas que, quando perguntam por um bebé, falam logo do peso e, sobretudo, da altura.

O meu bebé nasceu pequenino: 2,950 kg e uns míseros 47 centímetros.

Em poucos meses o meu bebé, alimentado exclusivamente a leite materno, atinge o percentil 90 de altura e os 75 de peso. Não podia estar mais orgulhosa!

Acontece que, passado o primeiro ano de vida, o meu filho decresceu ligeiramente nos percentis.
E acontece que, para surpresa de muitos, este é um fenómeno perfeitamente normal.

15 Fevereiro 2013

21 Setembro 2015
A propósito desta "natural" desacelaração do meu filho, li e estudei bastante sobre este tema que tanto preocupa os pais e as mães.
Para vos simplificar o processo decidi criar alguns tópicos que me parecem importantes:

1) Os percentis de crescimento mais não são do que conjuntos estatísticos ordenados com base na análise do crescimento de crianças saudáveis do mesmo sexo e da mesma idade. Em boa verdade, se o teu filho está no percentil 15 de altura isso apenas significa que em 100 crianças saudáveis da mesma idade e do mesmo sexo, 85 serão mais altas e 14 serão mais baixas.
A interiorizar: Não há percentis bons ou maus, há pessoas (sim, as crianças são pessoas) com corpos, alturas e estaturas diferentes

2) Muito mais importante do que os percentis per si (de altura, peso e perímetro cefálico) importa que estes sejam relativamente estáveis ao longo de tempo e entre si. Ou seja, o ideal é que, se o teu filho está no percentil 50 de peso se mantenha próximo desse percentil ao longo de toda a infância e que o percentil de altura não esteja muito desfasado do percentil de peso (embora possam haver crianças mais altas do que pesadas e vice-versa).
As variações muito bruscas podem (podem, não são uma sentença) indicar que mais alguma coisa se passa e, nesses casos, vale a pena conversar com o pediatra.

3)  Desde a década de 70, Portugal orientava-se pelos valores de referência propostos pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC), baseados na análise do crescimento apenas de crianças americanas, genética e culturalmente muito diferentes do perfil nacional.

4) Em 2013, Portugal passou a adoptar - à semelhança de dezenas de outros países - as curvas de crescimento propostas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Estas curvas, publicadas em 2006, têm em consideração os bebés alimentados exclusivamente a leite materno nos primeiros 6 meses de vida e são também mais eficazes na detecção de situações de obesidade infantil (um dos maiores problemas de saúde nacional)

4.1) O facto das curvas OMS considerarem os bebés alimentados exclusivamente a leite materno até aos 4 a 6 meses - contrariamente ao gráfico da CDC, que valorizava os bebés suplementados com leite artificial - ajuda a explicar alguma abrandamento natural entre os 6 e os 18 meses de vida. De acordo com os especialistas, os bebés alimentados a leite materno tendem a crescer mais nos primeiros meses de vida, mas sofrem depois uma desacelaração do ritmo de crescimento. Estas variações já estão previstas nestas curvas.

4.2) Durante os primeiros 12 a 18 meses de vida é natural que haja um ajuste entre o tamanho resultante da vida intra-uterina e o real tamanho da criança determinado pela genética. Este ajuste pode ser feito para "cima" (por exemplo: subir do percentual 15 para o 50), mas também pode ser feito "para baixo" (descer do percentil 85 para o 50) sem que haja nenhum motivo para alarme.
Isto porque o tamanho com que um bebé nasce em nada está relacionado com a altura que virá a ter na vida adulta.

5) Há alguma forma de prever a altura e peso médio do meu filho na vida adulta? MAGIA, HÁ!
Em relação ao peso diria que grande parte está nas tuas mãos enquanto pai ou mãe (uma alimentação saudável, a promoção do exercício físico e a inclusão dos miúdos no processo das refeições são factores determinantes para que crescem no peso ideal).
Em relação à altura, grande parte dos pediatras aplica uma fórmula simples: olhando a altura do teu filho aos 24 meses, basta duplicar esse valor para teres uma ideia. Ou seja, se aos 2 anos o teu filho do sexo masculino media 90 cm, na vida adulta atingirá um pouco mais do que 1,80. Para as meninas a fórmula é a mesma, mas nivelando para baixo. Isto é, uma menina com 90 cm aos 2 anos terá um pouco menos de 1,80 quando se tornar adulta.

Parece-vos confuso? O pediatra Hugo Rodrigues, autor do blog Pediatria para Todos, e meu convidado regular no programa Filhos & Cadilhos no Porto Canal esclarece esta e outras dúvidas sobre os percentis de crescimento.
Basta clicares aqui.

Quem é amiga, quem é?















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