NA CHUPETA DA MINHA FILHA MANDA ELA [E EU TAMBÉM!]

A minha filha Frederica de dois anos e meio adora a "mimi" dela.
E temos várias lá em casa: a maioria são cor-de-rosa [todas de borracha, as mais básicas da Chicco, que são as únicas aprovadas pela bebé lá de casa], mas a preferida da minha filha continua a ser a chupeta verde herdada do irmão.
Está velhinha e meia rota mas, quando, durante o dia, o mimo e as frustrações vêm ao de cima só a "mimi verde do mano" conforta a Frederica.
Chego a ficar enternecida.
Com ela, por encontrar na chupeta um ponto em comum com o Vicente.
Com ele, pela forma duplamente comovida e convencida com que cede a sua ex-cura-tudo à Frederica.





Aliás, no que toca às chupetas a cumplicidade vai mais longe.
Quando o Vicente chora, a  Frederica corre a casa toda para ir buscar a chupeta verde e entregar ao irmão. E vai buscar uma das cor-de-rosa para uso próprio
[Ele, que deixou a chupeta aos 3 anos e meio, diz que já não quer. Mas eu sei o quanto aquele gesto da irmã o reconforta. O gesto da Frederica é o novo cura-tudo do Vicente].

Na verdade, o que me traz aqui hoje não são as chupetas. Mas antes a intromissão de pessoas estranhas ao uso ou não uso das mesmas.
Na chupeta da minha filha manda ela [ e eu, na medida em que regulo a sua utilização].
Não é a primeira vez que ao final da tarde, porque está muito cansada, ou numa situação em que se magoa a Frederica me pede a chupeta durante o dia. Eu, quando vejo que o assunto é sério para ela, dou.
E também já não é a primeira vez que as senhoras do supermercado ou a velhinha que passa pela rua diz coisas como "que feia... uma menina tão bonita de chupeta" ou "dá-me a tua chupeta para eu entregar aos bebés". Ora aqui vai um recado: O uso da chupeta é um assunto privado e privativo de cada família.

Em todo o caso, e depois de vos contar a minha experiência pessoal, vale a pena irmos mais a fundo no que toca às recomendações. Lembrando sempre que, lá está, cada criança é uma criança e cada situação familiar ditará os timmings. Tudo pronto?

1 - É recomendável abandonar o uso da chupeta [com grandes benefícios sobretudo nos primeiros anos de vida- mas disso falamos noutra altura] entre os 18 meses e os 3 anos. A recomendação reúne um largo consenso entre pediatras e terapeutas da fala.
Isto porque o uso de chupeta pode comprometer, a longo prazo, a saúde oral [ má oculsão e dificuldades de mastigação são os problemas mais comuns] e também o desenvolvimento adequado da linguagem, à custa de problemas de dicção [Dica: Quando a Frederica fala digo-lhe sempre "tens de tirar a chupeta para eu te perceber" e ela fá-lo sem problema]

2- A regra anterior deve ser aplicada de forma gradual. Isto é, devemos começar por retirar [ou reduzir] o uso da chupeta de dia e só depois de noite. A chupeta é uma ferramenta de autocontrole da criança e, nessa medida, é importante que a criança vá aprendo a fazer essa autoregulação sem precisar da chupeta. Este movimento deve ser comunicado à criança, conversado e debatido. A chupeta é da criança e ela deve, portanto, ser tida e achada neste processo.
 [Dica: Comecei por levar a chupeta na carteira para quando a Frederica me pedisse, hoje deixo-a no carro e, em breve, vou começar a deixar em casa para que começa a usar exclusivamente à noite]

3- A chupeta não é uma moeda de troca. E esta é uma opinião muito pessoal. O Vicente não deu a chupeta ao Pai Natal, não a entregou aos bebés e MUITO MENOS recebeu um brinquedo em troca. O abandonar a chupeta é um processo natural de crescimento, conversado [e às vezes demorado] entre pais e filhos e onde não cabem chantagens nem toma lá-dá-cá.
Isto não quer dizer que estou de acordo com o uso de chupeta aos 4, 5, 6 anos. Não estou, de todo.Quer apenas dizer que num processo de crescimento - seja ele qual for - não há contrapartidas nem verdades absolutas.

4- A alínea anterior não deita por terra a ideia, proposta por alguns autores, de encontrar outra ferramenta de auto controle. O meu filho Vicente, por exemplo, durante uma fase, pediu-me uma fralda de pano para se acalmar nos momentos de maior tensão. Foi o objeto de transição que encontrou. [A nossa cadela, a Kimba, é hoje a maior-cura-tudo dos meus bebés, mas isso, lá está, fica para depois :)]

5- Se a chupeta é importante para os nossos filhos e... se até nós pais achamos que o uso/não uso da mesma é importante nada de misturar este processo com outras mudanças na vida da criança. E aqui cabe tudo o que possa interferir com a estabilidade emocional dos nosso filhos: mudança de casa, a vinda de um irmão, uma nova escola, o desfralde, etc. Combinado?

6- Ninguém é feio por usar chupeta. [Quanta dureza!]. Não são os nossos filhos, mas também não são os primos, nem é o amigo da escola que com 5 anos usa chupeta. Se dentro do nosso seio familiar, gostamos que respeitem as nossas opções e os nossos timmings,não deveríamos fazer o mesmo com os outros? Não devíamos ensinar isso aos nossos filhos?
Não é assim, nestas pequenas coisas, que mostramos aos nossos filhos valores maiores como o Respeito, a Diferença e a Compreensão?

Alguém está à procura da "mimi"... Tenho de ir :)



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