BLACK FRIDAY PORTUGUESA, CONCERTEZA

Antoine de Saint- Exupéry ensinou-me, ainda pequenina, nas muitas noites em que pedi à minha mãe para me ler o Principezinho dentro de cabanas feitas de almofadas, mantas e cumplicidade que o essencial é invisível aos olhos.
Tenho tentado lembrar-me dessa máxima tão valiosa em muitas das tentações [e das irritações] com que me confronto no meu dia-a-dia.
A Black Friday é uma tentação para toda a gente. Para mim também. Gosto de comprar roupa a bom preço e já agora aproveito e resolvo em três tempos [e a bom preço] os presentes de Natal.
Só que não.

E não porque, por um lado, a Black Friday mais não é do que uma ferramenta de marketing dos grandes grupos internacionais [com tantas aldrabices já noticiadas ao longo das últimas edições] que esmaga as marcas portuguesas - sobretudo às mais pequeninas, que com muito amor e esforço se tentam afirmar num mundo onde o preço parece valer mais do que o amor e a qualidade.
Por outro lado, o ímpeto de resolver tudo num só dia [e já agora muito rápido porque os artigos estão todos a esgotar] tira a magia do Natal e do dar. A magia do fazer devagarinho, do ver e rever, do pensar bem no presente que queremos dar com significado a alguém que nos é querido.

A Black Friday é para mim uma oportunidade. Uma oportunidade para pensar [e não para comprar a qualquer preço] e passar a agir em conformidade com o que penso.
Se eu sou portuguesa, se eu gosto das marcas portuguesas, se eu gosto de conhecer quem pensou a camisola quentinha que os meus filhos levam para a escola e se eu gosto de levar o meu país para a frente então porque é que eu vou comprar, sem hesitar nem pensar, tudo em grandes grupos internacionais?
Hoje podemos e devemos escolher.

Não quero com isto parecer fundamentalista e muito menos quero cair no erro de ser moralista ( e depois me deixar enamorar por um par de botas da Zara). Quero apenas equilibrar a minha balança e deixa-la pender para o lado das marcas portuguesas.

Portugal sou eu, és tu, somos todos. Há milhões de marcas portuguesas bonitas, de grande qualidade, cheias savoir faire e histórias inspiradoras para contar. Cruzo-me com muitas no meu Filhos & Cadilhos.
Algumas já cresceram e estão a fazer promoções, outras ainda não conseguem fazer esse esforço.
Seja como for, são nossas.
São minhas.
São tuas.
São de Portugal.


Um beijinho e boas compras,



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